Quando o espermograma não conta toda a história da fertilidade masculina

Na medicina reprodutiva, um resultado considerado normal nem sempre encerra uma investigação.

Exames fornecem informações importantes, mas precisam ser interpretados dentro de um contexto maior: história clínica, tempo de tentativa para engravidar, avaliação dos dois parceiros e percurso reprodutivo do casal.

O espermograma é um bom exemplo. Ele é o principal exame inicial para avaliação da fertilidade masculina, mas estar dentro dos parâmetros de referência não significa, necessariamente, que todos os aspectos relacionados à função reprodutiva tenham sido avaliados.

O que um espermograma normal realmente nos diz?

O exame analisa características fundamentais do sêmen, como concentração e número de espermatozoides, motilidade e morfologia.

São parâmetros essenciais, mas seus valores de referência não estabelecem uma fronteira absoluta entre fertilidade e infertilidade.

Por isso, quando a avaliação feminina não identifica alterações capazes de explicar a dificuldade para engravidar e o espermograma também não apresenta alterações relevantes, ainda pode existir uma pergunta clínica: há alguma razão para aprofundar a investigação masculina?

O que o espermograma não consegue avaliar completamente?

Entre esses aspectos está a integridade do DNA dos espermatozoides.

A fragmentação do DNA espermático pode estar aumentada mesmo quando concentração, motilidade e morfologia estão dentro dos parâmetros de referência. Sua análise, porém, não é recomendada como exame de rotina na avaliação inicial de todo homem com infertilidade.

Em situações selecionadas — como determinados casos de perdas gestacionais recorrentes, infertilidade sem causa identificada ou históricos específicos de falha reprodutiva — uma investigação complementar pode ser considerada.

O objetivo não é procurar indiscriminadamente tudo aquilo que o espermograma não mostra, mas identificar se existe uma pergunta clínica cuja resposta possa realmente contribuir para a condução do caso.

E o estresse oxidativo?

O estresse oxidativo está relacionado a mecanismos capazes de comprometer diferentes aspectos da função espermática, inclusive a integridade do DNA.

Idade, tabagismo, obesidade, varicocele, algumas condições clínicas e determinadas exposições ambientais podem estar associados a esse processo.

Isso não significa, porém, que testes laboratoriais específicos para estresse oxidativo devam fazer parte da rotina de todos os pacientes. Seu uso ainda apresenta limitações de padronização e aplicação clínica.

Individualizar também é saber até onde investigar

Quando a avaliação inicial do casal não revela uma causa clara para a infertilidade, idade, tempo de tentativa, antecedentes clínicos e história reprodutiva ajudam a definir os próximos passos.

Aprofundar uma investigação não significa necessariamente fazer mais exames. Às vezes, significa selecionar melhor aquilo que realmente pode acrescentar informação.

O espermograma permanece essencial na avaliação da fertilidade masculina. Reconhecer seus limites não diminui sua importância — permite interpretá-lo de maneira mais precisa dentro da história de cada casal.

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Dra. Rívia Lamaita e equipe Gerar in Vitro Premier
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