Os 35 anos são uma referência importante na fertilidade feminina. A partir dessa fase, o impacto da idade sobre a quantidade e a competência dos óvulos tende a se tornar mais significativo. Mas essa mudança é progressiva, e outros fatores também merecem atenção.
Em entrevista à Revista Viva Nova Lima, a ginecologista Dra. Rívia Lamaita, da Gerar in Vitro Premier, destacou a importância de considerar a história clínica de cada mulher.
Endometriose, alterações ovarianas, cirurgias nos ovários e ciclos menstruais muito irregulares podem interferir no potencial reprodutivo e justificar uma investigação antes mesmo dos 35 anos.
Por que os 35 anos são uma referência para a fertilidade feminina?
A fertilidade diminui progressivamente ao longo da vida reprodutiva. Com o avanço da idade, a reserva ovariana se reduz e aumenta a proporção de óvulos com alterações cromossômicas.
Esse processo pode diminuir as chances de gravidez e aumentar o risco de perdas gestacionais. Os 35 anos representam uma referência clínica importante, mas não um limite absoluto.
Quem pode precisar avaliar a fertilidade antes dos 35 anos?
Mulheres com fatores capazes de interferir na função ovariana ou na reprodução podem se beneficiar de uma avaliação mais precoce.
Além das condições já mencionadas, antecedentes pessoais ou familiares podem indicar a necessidade de investigação. Conhecer esse cenário ajuda a orientar o planejamento reprodutivo.
Como a endometriose pode interferir na fertilidade?
A endometriose pode afetar a fertilidade de diferentes formas, dependendo da localização e da extensão da doença e do possível comprometimento dos ovários e das tubas.
Na presença de endometriomas, a reserva ovariana merece atenção especial. Isso não significa que toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. A análise deve considerar as características da doença, tratamentos anteriores, idade e desejo reprodutivo.
Cirurgias ovarianas podem afetar a reserva ovariana?
Em algumas situações, sim. O tipo e a extensão da cirurgia, além da condição prévia dos ovários, podem influenciar a quantidade de tecido ovariano funcional.
Quando existe desejo de gravidez futura, pode ser importante avaliar a saúde reprodutiva antes de determinadas cirurgias, sempre que o contexto clínico permitir.
Ciclos menstruais irregulares são sinal de baixa fertilidade?
Não necessariamente. A irregularidade menstrual pode ter diferentes causas e não determina, sozinha, a capacidade de engravidar.
Ciclos muito irregulares, no entanto, podem estar associados a alterações da ovulação ou a condições hormonais e ovarianas que merecem investigação.
O que a avaliação da reserva ovariana mostra?
A reserva ovariana ajuda a estimar a quantidade de folículos disponíveis e a provável resposta dos ovários a uma estimulação.
Entre os recursos utilizados estão a dosagem do hormônio anti-mülleriano (AMH) e a contagem de folículos antrais pela ultrassonografia.
Esses exames não medem diretamente a qualidade dos óvulos nem determinam, isoladamente, a chance de uma gravidez natural. Os resultados devem ser interpretados em conjunto com a idade e outros dados clínicos.
Avaliar a fertilidade significa iniciar um tratamento?
Não. A avaliação pode servir apenas para compreender a situação atual e orientar decisões futuras.
Em alguns casos, a conduta será o acompanhamento. Em outros, pode ser indicado antecipar os planos de gravidez ou discutir estratégias de preservação da fertilidade.
Conhecer antes permite planejar melhor
A idade é um dos principais fatores relacionados à fertilidade feminina, mas não conta toda a história.
O momento adequado para avaliar a saúde reprodutiva não é igual para todas as mulheres. Conhecer os fatores individuais permite tomar decisões mais bem informadas sobre o futuro reprodutivo.
Gerar in Vitro Premier – ciência que orienta, experiência que individualiza.

