Endometriose: sintomas, diagnóstico e como a doença pode afetar a fertilidade

Março Amarelo: compreenda como a endometriose pode influenciar a saúde reprodutiva e a importância do planejamento da fertilidade.
O mês de março é marcado pela campanha Março Amarelo, dedicada à conscientização sobre a endometriose, uma doença ginecológica que afeta milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo.

Apesar de relativamente comum, muitas mulheres convivem com sintomas por anos antes de receberem o diagnóstico correto. Por isso, ampliar a informação sobre a doença é fundamental para favorecer o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a preservação da qualidade de vida.

O que é endometriose?

A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio — que normalmente reveste o interior do útero — passa a crescer fora dele.
Essas células podem se implantar em diferentes estruturas da pelve, como ovários, trompas, intestino, bexiga e peritônio. Por responderem às variações hormonais do ciclo menstrual, podem provocar inflamação, dor e formação de aderências.

Quais são os principais sintomas?

• Os sintomas podem variar bastante entre as mulheres. Entre os mais comuns estão:
• cólicas menstruais intensas
• dor pélvica crônica
• dor durante as relações sexuais
• dor para evacuar ou urinar durante o período menstrual
• dificuldade para engravidar

Vale lembrar que a intensidade da dor nem sempre está relacionada à extensão da doença, o que torna a avaliação médica especializada fundamental.

Endometriose pode afetar a fertilidade?

Sim. Estima-se que 30% a 50% das mulheres com endometriose possam apresentar dificuldade para engravidar.
Isso pode ocorrer por diferentes fatores, como inflamação pélvica, alterações no funcionamento das trompas e formação de aderências.

Quando a doença acomete os ovários, pode haver formação de endometriomas (cistos de endometriose), que em alguns casos podem impactar a reserva ovariana — ou seja, a quantidade de óvulos disponíveis ao longo da vida reprodutiva.

Dependendo da evolução da doença ou da necessidade de tratamento cirúrgico, essa reserva também pode ser parcialmente afetada.

Planejamento reprodutivo e preservação da fertilidade

Cada caso de endometriose deve ser avaliado individualmente. Muitas mulheres com a doença conseguem engravidar naturalmente ou com auxílio de tratamentos de reprodução assistida.

No entanto, para mulheres que ainda não desejam engravidar no momento — especialmente quando há comprometimento dos ovários — pode ser importante avaliar estratégias de planejamento reprodutivo.

Entre essas estratégias está o congelamento de óvulos, técnica que permite preservar os óvulos em um momento de melhor potencial reprodutivo, possibilitando seu uso no futuro.

Essa abordagem pode ser considerada em determinadas situações clínicas, permitindo que a mulher mantenha mais possibilidades reprodutivas ao longo do tempo, sempre com orientação médica especializada.

Informação e ciência no cuidado com a fertilidade

Durante o Março Amarelo, a conscientização sobre a endometriose também reforça a importância de olhar para a fertilidade de forma preventiva e individualizada.

Buscar orientação especializada permite compreender melhor as condições de saúde reprodutiva e avaliar, com base em evidências científicas, as possibilidades mais adequadas para cada momento da vida.

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Dra. Rívia Lamaita

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